Oi,
meu amor.
Se eu fechar bem forte os olhos e pedir aos céus que você fique
aqui comigo, resolverá essa questão?? Será que se eu for fraca o
bastante pra dizer que não quero lidar com essa dor, vai fazer com
que ela seja evitada?
Eu vou conseguir fugir?? E se eu permitir que as lágrimas que me
sufoca agora, sejam uma parte de mim e não evitar que elas caiam,
irá aliviar a sensação de vazio? Ou será, que será como sempre foi,
não importando o que eu sinta, ou queira para nós dois? Eu não sou
perfeita, e nem quero
que você o seja, mas a ideia de te perder para sempre é tão
insuportável...
Eu me sinto ruir pouco a pouco...
Três meses... É tudo que eu terei, se muito... Três meses pra me
despedir, pra permitir que mais um sonho se perca, que mais uma
flor seque, e que meu coração seja machucado uma vez mais em mil
pedacinhos... Três meses para eternizar na alma e na mente tudo que
eu queria para uma
vida inteira ao seu lado, mas chegou a hora de encarar os fatos não
é? Você nunca foi e nem será meu... Não de coração, não em cada
pedacinho da sua alma... Em seu ser...
Será que se eu fechar meus olhos e não pensar em nada, tudo se
perderá?
Se eu apenas me recusar a sentir alguma coisa, irá fazer
diferença?
Eu não quero ser capaz de pensar na sua despedida, no seu
adeus...
Eu não quero ter que olhar nos seus olhos uma última vez, e te dar
um último abraço, uma última carícia, um último beijo... Eu não
quero ter que te ver uma última vez e ouvir de ti um adeus... Eu
não saberei suportar, eu não vou saber sair inteira, em pé... Vai
me machucar, vai me
ferir... Vai me fazer desistir de tanta coisa, me fará
desistir de mim...
Apenas me permitam ficar surda para as ultimas palavras,
Ficar cega para um último olhar,
Muda, para um último eu te amo,
Imóvel, para um último abraço...
Que os céus me permita ser covarde... Que não me dê forças pra te
ver partir e nunca mais voltar pra mim...
Que os céus me deixe ser covarde, para que eu não possa ouvir mais
a nossa música e nem recordar nenhuma vez o seu sorriso, nem os
momentos em que mencionou me amar...
Que as estrelas, iluminem a escuridão do meu olhar, os caminhos
sombrios que restarão em meu coração...
Que a brisa, seja capaz de aliviar o calor da raiva que eu sinto
que haverá em cada célula do meu corpo, o pulsar frenético de um
coração sendo destruído...
Que o sol, me aqueça, que arranque de mim o gelo do medo, o frio
que vem da angústia, o ar congelante dos meus pulmões, aquele mesmo
ar que impedirá que eu respire para que jamais eu sinta seu perfume
uma vez mais...
Que a água, banhe meu corpo e leve com ela a sujeira que ficará na
minha alma, pela mágoa, pela tristeza... Que lave meu rosto das
lágrimas que escorrerão dos meus olhos e manchará o que há de
melhor em mim...
Mas, eu imploro... Deus, eu imploro que eu jamais, volte a amar
outra vez...
Que eu nunca mais seja forte o bastante para amar com a ferocidade
do fogo, com a calma de uma brisa de verão, com calor do sol na
pele, aquele calor que é capaz de derreter qualquer medo, qualquer
dúvida, porque por mais que eu tenha tentado, por mais que eu tenha
oferecido o melhor de mim, no final não ficou nada, não restou nada
de mim em ti...
Adeus...
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